terça-feira, 22 de abril de 2014

Pacto Renovado Com Sucesso: Lily Allen Lança Clipe Tenebroso (Mas Necessário) Para "Sheezus"!


Saia por aí e diga aos seus amigos para se juntarem à nós / Se entreguem a mim, eu sou a sua líder / Me deixe ser a Deusa ♪

Era uma vez uma garota chamada Lily Rose Beatrice Allen que só queria saber de se vingar de seu namorado trouxa, marcar novos encontros na tentativa de conhecer algum cara realmente legal e se divertir com seu irmão mais novo. Algum tempo depois ela abriu seu diário pra gente, nos revelando seus medos, injustiças amorosas, além das aflições pós-adolescência que todos conhecemos (até porque vivenciamos) muito bem. É, mas durante toda essa jornada, Lily acabou se tornando uma das artistas mais representativas da nossa geração e agora ela só quer saber de externalizar o seu ponto de vista quanto aos parâmetros comportamentais impostos, não só pela sociedade, mas também pelas demais representantes femininas da música pop quanto a elas mesmas em algumas das melhores faixas de seu terceiro e aguardadíssimo álbum de inéditas, o Sheezus.

Pra dar início aos trabalhos, ela já foi escancarando que não tava nada fácil pra mulherada em "Hard Out Here", faixa que abriu os trabalhos do disco. Falando sobre a objetificação da mulher, Allen foi taxada de racista por alguns veículos, que não fizeram o dever de casa e simplesmente criaram o seu próprio roteiro mentalmente doentio para o clipe. Algumas baladinhas comercialmente rentáveis depois (Lily é muito boazinha com a sua gravadora), a cantora bateu o pé no chão para que a sua faixa-título pudesse ter o seu lugar ao sol, mesmo que apenas como countdown single.

De longe uma de suas composições mais irônicas, "Sheezus" fala sobre estar de volta ao inconstante mercado da música, onde as regras mudam com uma agilidade impressionante e o que havia de mais relevante ontem pode simplesmente ter caído no esquecimento hoje: "Já estive aqui antes, estou preparada / Mas não vou mentir, estou meio assustada / Amarro minhas luvas, estou entrando / Não deixe que minhas filhas me vejam enquanto estou no ringue / Aguento os golpes, rolo com os socos / Me recupero, não é como se eu nunca tivesse feito isso / E de novo, o jogo muda / Não posso voltar, pegar o microfone e simplesmente fazer a mesma coisa".

Outras divas da música pop também se fazem presentes na faixa, não como featuring, mas sim personagens de toda a história englobada em "Sheezus". Das mais novinhas, como Lorde, as já consagradas, como Lady Gaga, nenhuma representante feminina da música pop atual foi poupada no refrão, que é um dos pontos mais acertados e comerciais (gravadora discorda), do single: "RiRi (Rihanna) não tem medo do rugido de Katy Perry / A Rainha B (Beyoncé Britney Spears) está de volta ao rascunho / Lorde ainda cheira a sangue, é, mas ela está prestes a te arrasar / Ninguém se mete com ela enquanto for a debutante / Estamos assistindo à Gaga, rindo muito, ha ha / Morrendo pela arte, então, realmente, ela é um mártir / Ficar em segundo não é o bastante para as divas / Me dê a coroa, vadia / Quero ser a Deusa".

No clipe, Lily segue exatamente por essa premissa e faz um prospecto da carreira de praticamente toda popstar, que começa, mesmo que crua, com uma identidade própria, mas vai, aos poucos, sendo moldada pelo direcionamento de carreira imposto pela gravadora. Como uma espécie de camaleão, a cantora tem não só sua cor, mas aparência modificada do início ao fim do vídeo, indo de uma imagem com mais atitude, porém distante dos padrões de beleza que a sociedade deglute com mais facilidade, para algo feminino, delicado e, segundo o ponto de vista do empresários, comercial. É, mas como nem tudo é perfeito, algumas dessas estrelas em potencial podem acabar se perdendo no meio desse processo (como já vimos aqui), indo do céu ao inferno em questão de segundos e podendo, muitas vezes, nunca mais voltar de lá. Assista: