terça-feira, 20 de setembro de 2016

Stefani Joanne Angelina Germanotta: Um manifesto sobre a perfeita ilusão vivida por Lady Gaga!



Na ocasião de seu lançamento, "Perfect Illusion", carro-chefe do quinto álbum de inéditas de Lady Gaga, dividiu não só águas, mas também opiniões, que divergiam bem mais pela identidade sonora do single que por sua qualidade, que, cá entre nós, é inquestionável. Sabe aquele ditado que diz que em time que tá ganhando não se mexe? Ele não se aplica a Lady Gaga. É, porque, desde que a Mother Monster resolveu bagunçar o nosso mundo no monótono e quase decênio ano de 2008, ela não parou mais de se reinventar. Eletro, pop, rock, hip hop, rap, folk, disco, tribal. Existe algum estilo musical que ela não tenha explorado, renovado ou mesmo reinventado? Sei que não parece, mas essa é uma pergunta retórica, tá?

Nós vivemos em um mundo onde tudo é rotulado mediante certos tipos de esteriótipos. Para o bem ou para o mal, Lady Gaga foi taxada como uma artista pop, uma vez que foi esse universo que a abraçou e no qual ela acabou por se inserir. Irônica e controversa, ela sempre permeou por entre nuances sonóras e líricas, onde abordava desde assuntos mais leves, como festas e flertes adolescentes, até religião e a influência, tanto positiva quanto negativa, da mídia em nossas vidas. Cada vez mais forte, pessoal e profissionalmente, ela viu seu chão ruir frente a ganância daqueles que não entendem de arte, nem tampouco de pop. A artista virou um ícone que virou um ídolo e se quebrou. Em muitos, infinitos pedaços.

Responsável por juntar os caquinhos e mostrar pra hitmaker de "Anything Goes" que a vida valia a pena, o jovem Tony Bennett, hoje no auge de seus 90 anos, é, vez por outra, vítima de piadas maldosas proferidas por alguns, mas foi ele que construiu o alicerce no qual a mãe dos Little Monsters pôde voltar a se firmar. E a se afirmar. Recuperada da queda, Lady Gaga ainda carrega consigo algumas cicatrizes, mas que estão, aos poucos, sarando por completo. "Perfect Illusion" é a maior e mais importante delas. Ela se entregou por completo e foi traída por aqueles em que ela mais confiou. Não era amor. Era ambição. Uma perfeita ilusão. Os vocais crus, ora chorosos ora raivosos, da canção, não estão lá por acaso. Eles expressam toda a revolta, confusão e descontentamento da Mãe Monstro para com aqueles que prometeram guiá-la pelo caminho da redenção com o mínimo de percalços. Ela cumpriu a sua parte. Já eles...

Frente a isso, até o rock mais pesado do mundo é pouco para vomitar todas as suas frustrações. Sabe quando você está em um relacionamento, seja ele amoroso ou não, e descobre que ele não era nada daquilo que você pensava? Você estava nas nuvens e, como que de repente, começa a cair numa velocidade impressionante rumo ao chão. Tipo aqueles sonhos em que a gente acorda assustado com o impacto, sabe? Imagina só viver algo do tipo no mundo real. Não é nada fácil. E se depois da tempestade vem a bonança, depois da repugnância vem a rebelião. Do pop ao rock, do espalhafatoso ao básico, do extremo ao limite. Chegou a hora de extrair algo de bom disso tudo. De mostrar que está a par da verdade. De provar que não é massa de manobra. Um meio para um fim. De volta à estaca zero. Por vontade própria. Lollapalooza '07, se lembra? Bons tempos... que finalmente voltaram. Stefani Joanne Angelina Germanotta. Lady Gaga.